domingo , novembro 17 2019
Revista Fé e Ação – Edição 184
Revista Fé e Ação
Clique na capa para abrir
Início / Artigos / O Sacramento do Batismo (I)

O Sacramento do Batismo (I)

bessa sitePe. Bessa
Liturgista/Paroco N.Srª de Fátima – Rio Verde – GO
Pe. Bessa. pjpaulob@uol.com.br

 

A melhor fonte para conhecermos sobre o Batismo é a Sagrada Escritura. É possível fazer um estudo partindo dos textos nos Atos dos Apóstolos, nos Evangelhos e nos demais escritos do Novo Testamento.
O melhor livro a ser lido para conhecer e entender o Batismo, e todos os outros Sacramentos, é o Catecismo da Igreja Católica. O Catecismo é a Bíblia explicada, esmiuçada. Estes dois livros devem estar sempre presentes nas nossas casas.
O melhor modo para entender o Batismo numa dimensão de fé é participar de uma celebração de batizado; se for de adultos melhor ainda. Se for usando o Ritual de Iniciação Cristã dos Adultos chegamos ao ideal (RICA).
A Bíblia é a fonte, o Catecismo é a explicação com segurança, a celebração é o acontecimento que não dá margens às dúvidas. A Igreja celebra certezas de fé…
A palavra Batismo vem de Bapto – que em grego significa imergir, submergir tingir.
No Antigo Testamento, Batismo só ocorre em sentido religioso ou sagrado. Exemplo clássico encontramos em 2Reis 5, 14: os sete mergulhos de Naamã no rio Jordão. Um rito que tem em vista a pureza legal. Não implicava mudança de vida moral ou pureza do coração. Vale a pena ler também Judite 12,7s.
Conhecemos outras experiências, como as dos Monges de Quaram, homens celibatários que vivam em comunidade e faziam vários banhos de purificação no decorrer do dia em vista da vinda do Messias.
Estudiosos concordam que João Batista fez parte dessa comunidade, e que por algum motivo a deixou a e começou a batizar o povo às margens do rio Jordão.
O batismo de João distinguia-se dos ritos acima mencionados por exigir um comportamento ético, um novo modo de vida, como a renúncia ao pecado, em preparação da vinda do Messias. Podemos ler Mc 1,4: batismo de arrependimento para o perdão dos pecados; Lc 3,3: batismo de penitência. Era um rito de iniciação e que formava uma comunidade messiânica, apelando para as alusões dos profetas a uma água purificadora das consciências (Is 1, 15-17; Ez 36, 25-27; Jr 4, 14; Zc 13,1 Sl 51 (50),9).
A presença de João, pregando no Deserto e batizando no rio Jordão chamou muito a atenção do povo. Há mais de 200 anos não aparecia um Profeta na Palestina. Ele pregava em concordância a mensagem dos profetas anteriores; linha que será seguida depois pelo próprio Messias.
O Batismo de João era anúncio de outro Batismo, aquele trazido por Jesus: “Eu vos batizo com água. Ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo: Jo 1, 25s; Mc 1, 8; Lc 3,16.
O dom do Espírito era prometido pelos profetas como a grande dádiva trazida pelo Messias: Is 11,1-3; Joel 3, 1-5; Is 32, 14.
João Batista, o grande profeta que fez a ponte entre o Antigo e o Novo Testamento. No elogio de Jesus feito a ele, o maior nascido de mulher. João é a voz que grita no deserto. O vejo como um exemplo a ser seguido sempre, devemos gritar, mesmo que nos desertos do nosso tempo. Se ouvirem ou não a nossa voz, não importa, mas não poderão ignorar que uma voz gritou… João, o Batista, que batizou o próprio Cristo; que teve o privilégio de apontar o Messias como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Vale a pena ler tudo o que se refere a João nas Escrituras.
Todas as vezes que celebro os batizados (e olha que já passaram de 5 mil, muitas celebrações em 36 anos de ministério); sempre pergunto porque estamos batizando. A resposta clássica: “Porque Jesus foi batizado por João Batista”. E, com pesar, tenho que responder que não. Mas falarei sobre isso no próximo mês.
O texto do Evangelho que mais gosto de proclamar nas celebrações de batizados é Mateus 28, 18-20: “Foi me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinado-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Tradução Bíblia Sagrada Africana – Paulinas).
E assim, batizamos, seguindo a ordem de Jesus…
E assim, em nome da Trindade fomos batizados!
Meu abraço, para quem de abraço, com braços de amizade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *