segunda-feira , dezembro 18 2017
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Missionários da Sagrada Família – “Estar perto dos que estão distantes”

          O trabalho missionário de muitos leigos e leigas da Diocese de Jataí nem sempre são conhecidos, no entanto, eles fazem a diferença levando o evangelho e acima de tudo, vida e dignidade a muitos irmãos que sofrem em terras distantes. Edina Lima Cardoso, 44 anos, nascida em Rio Verde-GO, graduada em Letras pela PUC- Goiás, com especialização em liturgia é uma entre muitos missionários (as) da Sagrada Família, que desde a juventude sentiu o chamado para atuar, primeiro com os jovens na PJ e depois com crianças e jovens em outro país. Edna, depois de alguns anos trabalhando em Goiânia-GO, na coordenação da Casa da Juventude Pe. Burnier (Jesuítas) resolveu deixar sua cidade natal e seguir para a África, onde está há muitos anos realizando um lindo trabalho missionário. Confira a entrevista com a missionária.

 

R.A. Quando e como surgiu o desejo de ser uma missionária?

Durante minha formação cristã, atuei na Pastoral da Juventude desde os 18 anos, no grupo de jovens realizamos as missões jovens, foi nestas atividades que o desejo de ser missionária veio com mais força. Em 2004 fiz a primeira experiencia de missão e inserção por 15 dias nas comunidades ribeirinhas  em Carauari e Itamarati –  Amazonas, Paróquias assumidas pelos Missionários da Sagrada Família,  desde então comecei a me interessar e acompanhar mais ainda pelos projetos de missão realizados pela igreja.

R.A. Onde está em missão atualmente?

A missão dos Missionários da Sagrada Família está especificamente na região da África Austral, no país de Moçambique, na província de Nampula, no Distrito de Mecuburi – Sede.

R.A. Que tipo de apoio recebeu dos Missionários da Sagrada Família?

Durante o tempo em missão a congregação dos MSF assumiu todas as minhas despesas de transporte, saúde, alimentação, hospedagem e gastos pessoais, além da ajuda de custo para assumir despesas  do meu INSS e  plano de saúde de minha mãe, no Brasil. Também recebo acompanhamento fraterno e forte amizade por parte dos padres que estão no conselho provincial e os que estão à frente da missão em Mecuburi. 

R.A. Como é o trabalho realizado naquele país? Qual é a sua missão lá?

A missão de Mecuburi tem cinco frentes de trabalho, são elas:

  1. Projeto Aldeia das Crianças – (acompanhamento nutricional de crianças de 0 à 5 anos – o mesmo trabalho da Pastoral da Criança)
  2. Projeto Criança Aprende – (reforço escolar de alfabetização para 25 meninas de 09 à 11 anos)
  3. Projeto Casa do Estudante (acolhida e acompanhamento de 4 estudantes com idade entre 14 e 16 anos, advindos das aldeias mais distantes da Sede do distrito. A missão oferece hospedagem e alimentação acompanhamento da formação destes estudantes na Escola Profissional.
  4. Projeto Escola Profissional Familiar Rural de Mecuburi (a missão assume a direção e gestão da escola, que conta com 95 alunos em periodo integral, com internato masculino e feminino).
  5. Projeto de atendimento e acompanhamento das pastorais das Paróquias Santa Cruz de Muite e Nossa Senhora da Assunção em Mecuburi sede. Juntas as duas paroquias somas aproximadamente 300 comunidades a serem atendidas por nós 3 missionarios.

A minha missão em especifico, é dirigir e gerir a Escola profissional Familiar Rural, em nome da congregação. Nesta função dedico a maior parte do meu tempo e também nos finais de semana disponíveis contribuo nas celebrações e pastorais junto com Pe. Pedro  Leo Eckert e Pe. Celso Both. Igualmente tomo conta da casa na cozinha e limpeza.

R.A. Você cresceu em um país que lhe oferece ótimas oportunidades de trabalho, onde pode estar próxima à sua família, porém optou por estar num país pobre e enfrentar muitas dificuldades. O que a motiva? E como é a vida lá?

Aprendi que há escolhas ou opções que não se explica com palavras… apenas creio que durante os 3 anos de missão nessa realidade moçambicana solidifiquei minha fé na Igreja dos empobrecidos, essa Igreja que em Jesus de Nazaré me vi seduzida. Sou uma amante e apaixonada pela missão ad gentes. Aqui vivemos com o necessário, sem muito luxo ou regalizas… não temos água encanada e tratada, há apenas um ano temos energia e com isso a TV. Não temos ruas asfaltadas e a maioria absoluta das casas é de adobe e capim… a sobrevivencia da maioria das famílias é da pouca plantação de milho, feijão, amendoim e mandioca… aqui vive um povo de alegria indescritível… tudo é dança, tudo é canto, tudo é festa… tudo é celebração. A miséria é muito grande, a fome chega e leva muitos, mas a fé é muito maior do que todas as desgraças vividas… nessa realidade  aprendi a adaptar meu paladar ao que conseguimos produzir. Aprendi a partilhar o pouco que temos. Aprendi a agradecer e valorizar cada prato de arroz com feijão. Aprendi a ver o mundo com um olhar mais crítico e cheio de indignação diante de uma miséria planejada pelas elites mundiais… 

R.A. Depois de tantos anos, quais as mudanças você percebe hoje, graças a presença dos Missionários, incluindo a sua, na África?

Para mim foram 3 anos de trabalho intenso em Mecuburi, mas os MSF estão há mais de 10 anos. Afirmo que é gratificante ver que as crianças que acompanhamos não tem o mesmo fim de muitas outras. Estas estão mais nutridas e aprendem a melhorar sua alimentação com o pouco que têm. Elas venceram a fome e podem contar com uma vida mais digna. Também Ver as meninas ler e escrever seu próprio nome, ler e escrever suas histórias, ler e escrever seus sonhos… tudo isso  com apenas duas horas semanais bem dedicadas à alfabetização, nos faz acreditar que estamos no caminho certo. E o que dizer quando um estudante que chega de aldeias tão despovoadas e durante a convivência na Escola consegue vencer a timidez, a fome, a miséria e o bloqueio cognitivo e ao final do processo de estudo eles podem escolher uma profissão e sobreviver dela e as vezes questionar por que existe tamanha distância entre pobres e ricos. E por fim o que dizer quando os mais de 500 batizados e casados vêm agradecer por ser acolhido na Igreja católica? Nosso coração é só gratidão ao Deus da vida nos dá tamanha alegria, coragem e saúde para continuar por mais 10 anos! 

R.A. A Diocese de Jataí, através do bispo e padres apoia a missão? De que forma participa?

A Diocese de Jatai não tem um envolvimento direto na missão. Os padres Missionários da Sagrada Família que estão na Diocese fazem a divulgação e buscam contribuições para sustentabilidade da missão. A Equipe de comunicação da Diocese faz divulgação dos trabalhos realizados. 

R.A. Você sempre trabalhou com jovens na PJ, viu seus anseios e com certeza já sentiu em alguns deles o desejo de também ser um missionário em terras distantes. O que você diria para esses jovens?

Jovens, o coração deve estar aberto para ver a beleza que exite num projeto missionário. Desapegar e se entregar à uma experiência assim nos faz mais próximos de Deus. Sei que o chamado não é ouvido por todos/as, contudo quando sentir um arder no coração ao ouvir histórias missionárias, não deixe passar… Reze e deixe Deus agir, por meio de outras pessoas… se entregue na missão, não tenha medo de doença, de outras coisas que nos distanciam dos empobrecidos… Não precisa ser na África, as vezes perto de onde você mora, no bairro, na cidade. Como estão as periferias de sua cidade?  O que a nossa Igreja pode fazer como  missão nesses lugares? Em que você, jovem, gostaria de ajudar?

R.A. Considerações finais.

Agradecimento especial à equipe de comunicação da Diocese de Jataí pela oportunidade de partilhar tamanha alegria que Deus tem feito em minha vida.

Deixo um forte abraço ao padres, irmãs e leigos dessa Diocese que me acompanharam no início dos nossos trabalhos da PJ e que foram fundamentais na opção que fiz!

Que o Deus das pequenas coisas esteja com vocês! Conto com as orações para continuarmos com saúde e alegria de servir em missão aqui em Moçambique!

E sintam-se convidados a nos visitar!

“É missão de todos nós, Deus chama, eu quero ouvir a sua voz!”

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